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Dieta pré-cirúrgica pode ajudar a recuperação


Dieta pré-cirúrgica pode ajudar a recuperação

 

Pesquisadores da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, concluem que a retirada de proteínas e do aminoácido triptofano - presente no leite - na semana anterior a um procedimento invasivo reduz inflamações pós-operatórias.

“Você é o que você come.” A frase, repetida à exaustão, é reforçada a cada pesquisa científica relacionada a alimentos e saúde, principalmente quando se trata do que se ingere no período anterior a cirurgias, fator importante para que o paciente se recupere bem e rapidamente. Tradicionalmente, cirurgiões e nutricionistas de hospitais recomendam que uma semana antes da operação a pessoa se alimente de maneira equilibrada, fazendo refeições ricas em nutrientes que abranjam carboidratos, proteínas, vitaminas e minerais. Um novo estudo, desenvolvido na Escola de Saúde Pública de Harvard, contraria essas determinações. Segundo os pesquisadores, não consumir proteínas ou o aminoácido triptofano — presente no leite, na carne e nos amendoins, entre outros — nos sete dias anteriores a cirurgias, especialmente as no abdômen (como nos rins e no fígado), aumenta a capacidade dos órgãos de resistirem a lesões.

Publicada na revista especializada Science Translational Medicine, a pesquisa liderada por James R. Mitchell, professor do Departamento de Genética e Doenças Complexas da Universidade de Harvard, revela que submeter-se a uma dieta de curta duração isenta de proteínas faz com que os órgão suportem melhor a falta do fluxo de sangue e a volta da circulação provocadas pelo procedimento. “Fizemos com que ratos não comessem proteína por aproximadamente uma semana. Em seguida, induzimos uma lesão cirúrgica, bloqueando o suprimento sanguíneo, no fígado ou nos rins dos animais. Eles resistiram melhor ao procedimento. Os ratos que passaram por uma dieta deficiente em aminoácidos essenciais tiveram o mesmo efeito protetor”, explica Mitchell, em entrevista ao Correio.
Outra descoberta do estudo foi que o gene que decodifica a proteína responsável por detectar a deficiência de aminoácidos no organismo, o controle geral não repressor (GCN2), é quem transforma esse dado em proteção para o corpo. “A velocidade com a qual o corpo respondeu às mudanças alimentares e como essas alterações podem causar impacto na resistência a lesões é fascinante.” Apenas dois dias após o procedimento cirúrgico, os ratos que não consumiram proteínas ou aminoácidos já apresentavam menos inflamação nos órgãos operados que o grupo de controle, formado por roedores que foram alimentados sem restrição nutricional (veja infografia).

Confirmação
Para o cirurgião plástico Fausto Bermeo, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, o estudo, apesar de experimental, essencialmente confirma o que é comentado na comunidade médica sobre a preparação dos órgãos para os traumas decorrentes do procedimento. “Uma cirurgia representa um estresse muito grande para o corpo. No caso do fígado, que metaboliza as proteínas, e dos rins, que eliminam os detritos desse metabolismo, quanto menor a necessidade de forçá-los a trabalhar no período da operação, mais rápida é a melhora no pós-operatório”, explica. O urologista e cirurgião Carlos Alberto Bezerra, integrante da Sociedade Brasileira de Urologia, concorda. “Já existia a desconfiança de que a sobrecarga de proteína pode fazer mal à saúde, mas ninguém ainda conseguiu determinar exatamente o porquê”, diz.

“Bermeo pontua que, além da boa alimentação, é necessário que o paciente se lembre de suspender praticamente qualquer remédio que consome, pois isso pode interferir na aplicação da anestesia. “Numa cirurgia que não é de emergência, devemos, na medida do possível, preparar o organismo para a situação não habitual da injúria cirúrgica, principalmente se a pessoa já tem problemas que interferem no metabolismo, como doenças cardíacas, do fígado ou dos rins”, ensina. Ele lembra que o pós-operatório também é importante, incluindo o que se come nesse período — no qual o cirurgião pede para que os indivíduos evitem consumir alimentos de difícil digestão, que requerem mais esforço metabólico.

Fonte: CORREIO BRASILIENSE – DF

 

 


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